A anarquia do flamenco segundo Israel Galván

O bailarino e coreógrafo espanhol Israel Galván, natural de Sevilha, é considerado por muitos como uma das figuras mais inovadores do flamenco contemporâneo. Sábado irá apresentar o espetáculo FLA.CO.MEN, onde homenageia as origens da sua arte em gestos que traduzem a desconstrução e reinvenção do flamenco, e que lhe tem valido uma extensa e intensa digressão europeia, no teatro Rivoli, no Porto.

Este espetáculo, conceptualizado a partir de um mix de todos os seus espetáculos e de todo o seu trabalho, com nomes de dentro e de fora do flamenco. Uma forma de pegar nas suas criações e abrir uma nova dimensão à qual o seu próprio criador teve de se habituar.

A forma como Israel Galván leva o flamenco por terrenos mais experimentais, onde uma certa teatralização e uma desconstrução dos vocabulários do flamenco dialogam com as potencialidades percussivas do corpo (não só dos dedos das mãos aos pés, como também de outras danças como o sapateado), leva a que o corpo do artista se torne no seu próprio recreio de sons e ritmos: um instrumento por si só.

Instrumento esse que quando acompanhado por outros músicos e cantores, faz deste bailado uma peça de dança-concerto improvisada pelo som. Ao explorar esta liberdade de criação e movimento enquanto estabelece conexões com o seu próprio passado e o passado burlesco da própria dança flamenca, Israel afirma a sua visão anarquista sobre o flamenco, que afirma ser “a maneira de estar, o gesto”.

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